Conference Agenda

Summaries and basic information about congress panels.

 
Session Overview
Session
S147: Violência, trabalho e relações sociais no mundo rural
Time:
Wednesday, 20/Jun/2018:
3:00pm - 5:00pm

Session Chair: Helio Sochodolak;
Session Chair: Vania Vaz;
Session Chair: Jose Miguel Arias Neto;
Session Chair: Valter Martins;
Location: Room 9
ES+PT

Session Abstract

A proposta é de uma discussão acerca da história da violência nas relações sociais e de trabalho, particularmente no mundo rural, em múltiplas temporalidades e espacialidades. As pesquisas em história da violência são assinaladas por uma pluralidade de recortes, temporalidades e fontes. René Girard defende a proposição de que a violência é o fundamento das relações humanas. Uma vez que “a violência é de todos e está em todos” e é com ela que nos organizamos em sociedade. As relações sociais produzem situações de confronto, de identificações e mobilizações. São atividades que fazem parte da forma de ser dos humanos e sua disposição no mundo. A violência pode ser física e/ou simbólica, legítima e/ou ilegítima, prática e/ou discursiva, em sua inscrição sobre os corpos. Não se pode dizer que a violência é inata ao humano ou imanente uma vez que ela é histórica e mutante nos diversos contextos. Dentre os atores históricos, destacamos no âmbito dessa proposta, os agricultores, sertanejos, imigrantes, populações tradicionais e suas trajetórias individuais/coletivas. Metodologicamente os estudos contemplam fontes diversas tais como processos criminais, documentos administrativos, cartografia, diários de viajantes, imprensa escrita e oralidade, dentre outras possibilidades. O amplo recorte na temática, “violência”, possibilita comparações e reflexões que identificam permanências, rupturas e singularidades, dispositivos, mecanismos comuns de agenciamentos e resistências historicamente constituídos.


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Presentations

Relaçòes de gênero nos processos criminais do fundo da comarca de Mallet/PR. 1922-1938

Lucas kosinski1, Leonardo Henrique Lopes Soczek2, Geovana Betu3

1Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná. (UNICENTRO), Brasil; 2Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná. (UNICENTRO), Brasil; 3Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná. (UNICENTRO), Brasil

Este trabalho objetivou identificar a partir das práticas de violência homicida, as tentativas de normatizações do sexo que delineiam possíveis relações de gênero, atribuídas pelo poder judiciário malletense em 1922-1938, período de elevado crescimento de registros criminais no município no sul do Paraná, um município rural. Para tanto, foram considerados os autos de 19 processos criminais, atas da Câmara Municipal, recortes de jornais e o Código Penal de 1890, que regia a legislação jurídica da época. Através da análise dos documentos, constatamos a honra como valor elementar nessa categoria de crime.


Las trabajadoras nómadas en las plantaciones de commodities en Brasil

Maria Aparecida Moraes Silva1, Lúcio Vasconcellos Verçoza2

1Universidade Federal de São Carlos, Brasil; 2Universidade Federal de Alagoas

RESUMEN: El objetivo de este artículo es el análisis de las transformaciones laborales en la agricultura del estado de São Paulo/Brasil, considerada una de las más desarrolladas del país. La caña de azúcar es el producto que domina un área de seis millones de hectáreas. São Paulo produce más de 70% del azúcar y etanol de Brasil. En los últimos años, hubo un incremento del proceso de mecanización, por medio de las cosechadoras que substituyen una gran cantidad de mano de obra. Las mujeres fueran remplazadas en tareas desvalorizadas y muy pesadas, como las colectoras de restos de caña y de piedras. Además, nuevas formas de control de la gestión del trabajo han asignado a las mujeres el nomadismo laboral por diferentes plantaciones, además de la caña. Hay un intenso proceso de movilización permanentemente temporaria de la fuerza de trabajo de mujeres negras y mestizas, un verdadero nomadismo.


Violência e sociabilidade: práticas criminosas em casas comerciais - Mallet/PR, 1950-1978

Leonardo Henrique Lopes Soczek, Hélio Sochodolak, Lucas Kosinski

Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil

Este trabalho propõe analisar as práticas criminosas em casas comerciais, na cidade de Mallet/PR e seus distritos, entre 1950-1978. Localizada na região sudeste do Estado do Paraná, Mallet foi marcada pela imigração eslava e se desenvolveu em uma grande área rural e num restrito centro urbano. Em meio ao predominante desenvolvimento agrícola, a formação de casas comerciais caracterizadas como armazéns, bares, botequins, clubes, e afins, representam os principais espaços privados de sociabilidade(s) no século XX. Utilizando de inquéritos policiais e processos criminais, projeta-se a compreensão de práticas que originaram crimes nesses estabelecimentos comerciais. Com documentação desde 1913, o acervo disponibilizado pelo CEDOC/I demonstra a predominância de crimes nesses espaços a partir da década de 1950 e uma queda significativa após a década de 1970. Por meio deste recorte temporal é possível analisar o maior número de casos e, consequentemente, reconstituir diferentes formas de violência e aspectos de sociabilidade(s) malletenses, expondo características culturais no cotidiano dos consumidores.


Conflictos y acuerdos por acceder a los recursos en la frontera navarro-aragonesa durante la Baja Edad Media

Mikel Ursua Lizarbe

Estudiante, España

En un periodo de expansión extensiva del sector primario, la frontera navarro-aragonesa fue un espacio codiciado por los habitadores de la misma para acceder a los diversos recursos que les brindaba : pastos, arroyos, bosques...Esta demanda produjo roces y enfrentamientos entre las comunidades fronterizas. Muchas de ellas, incapaces de soportar un estado continuo de tensión, recurrieron por iniciativa local a pactar los convenios denominados facerías o pacerías. Para realizar este estudio se ha recurrido en su gran mayoría a las fuentes escritas navarras, estando gran parte de las mismas conservadas en el Archivo Real y General de Navarra.


Violência no mundo rural em processos criminais: o Faxinal Santa Cruz (Mallet-PR, década de 1930)

Helio Sochodolak1, Valter Martins2

1Programa de pós graduação em História da Universidade Estadual do Centro Oeste, Brasil; 2Universidade Estadual do Centro Oeste, Brasil

Essa comunicação problematiza três processos criminais do início da década de 1930 na Comarca de Mallet/PR. O primeiro trata de um suicídio, o segundo de violência conjugal e o terceiro de um suposto estelionato. Essas ocorrências distintas chamam atenção por terem em comum, direta ou indiretamente, relação com o antigo Faxinal de Santa Cruz, povoado localizado próximo à Serra da Esperança e anterior à criação do município de São Pedro de Mallet em 1912. O modo de vida faxinalense tornou-se comum entre os imigrantes eslavos e seus descendentes que povoaram a região a partir de 1890 comportando diversas práticas violentas registradas nos processos criminais do aparelho judiciário. A historiografia classifica a violência como legítima ou ilegítima, como física e/ou simbólica. Nos três casos estudados essas classificações estão presentes e são acionadas de acordo com as necessidades dos envolvidos evidenciando um cotidiano faxinalense distinto do monótono ou do pacífico.


Homens e bois: o uso da terra na Amazônia oriental brasileira. Sul do Pará, 1897-1950

Vania Vaz1, Jean-François Tourrand2

1Université de Rennes 2/ Unicentro Irati-PR, Brasil; 2CIRAD, França

Essa comunicação discute a ocupação de terras sul do estado do Pará, na Amazônia brasileira, no período de 1897 a 1950.

O estudo aborda processos de migração e uso da terra, marcados por diferentes tipos de violência. O sul do estado do Pará foi ocupado no final do século XIX por frentes de expansão compostas por famílias sertanejas, oriundas sobretudo do nordeste brasileiro. Tais famílias buscavam pastagens naturais e água para desenvolverem sua pecuária de forma rústica e tradicional. Todavia, esse cenário amazônico foi composto por atores sociais e instituições distintas como o povo Kayapó, a igreja católica representada pelos missionários dominicanos franceses e, décadas depois, por empresários interessados na compra de grandes extensões de terra e também pelo Estado.

Dessa forma, fontes documentais diversas e estudos sociológicos e antropológicos, possibilitam refletir distintos embates a respeito das normas sociais, inovações tecnológicas e, principalmente, nas dinâmicas uso da terra. À vista disso, destacam-se a transição do uso comunal da terra para seu uso privado e a produção massiva de bovinos nesta área.


Os incorrigíveis: bêbados e vadios em Campinas entre o Império e a República.

Valter Martins1, Helio Sochololak2

1Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO) Campus de Irati/PR/Brasil; 2Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO) Campus de Irati/PR/Brasil

Essa comunicação tem como objetivo discutir os infortúnios de pessoas pobres, qualificadas como vagabundas em sua vivência cotidiana com a polícia e o poder judiciário na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, Brasil, entre o final do século XIX e início do XX. Naquele período, Campinas vivenciava importante urbanização financiada pela economia cafeeira. Entretanto, na sociedade desejada por fazendeiros e capitalistas, não havia lugar para gente ociosa e improdutiva. A polícia e o sistema judiciário foram acionados para tentar estabelecer a "ordem". Dos processos criminais emergem “personagens”como “Evinha Linguiça” e “Pé Espalhado”, epítetos pejorativos de alguns dos muitos daqueles que as leis e a polícia buscavam disciplinar, nem sempre com sucesso. A análise dos processos criminais, termos de bem viver, termos de tomar ocupação, legislação penal imperial e republicana, bem como da legislação municipal e dos jornais, evidencia aspectos da vida e da resistência de pessoas que “necessitavam de correção". Para o poder judiciário, cujas ideias e práticas marcavam sociedade daquele período, tais indivíduos seriam prejudiciais à ordem político-econômica, especialmente aqueles chamados invariavelmente de "incorrigíveis" nos documentos.


O Movimento Sertanejo do Contestado: violência e desestruturação das relações sociais

Eloi Giovane Muchalovski

Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO, Brasil

O Movimento Sertanejo do Contestado (1912-1916) foi um importante movimento social latino-americano, ocorrido na região sul do Brasil, num período de consolidação do regime republicano e federativo. Momento em que os estados do Paraná e Santa Catarina disputavam um extenso território copioso de florestas de araucária e erva mate. Este conflito, resultante de uma complexa cadeia de fatores econômicos, culturais, políticos, sociais e religiosos, ceifou a vida de milhares de brasileiros, entre sertanejos rebeldes e soldados das forças militares estaduais e do Exército nacional. Dentre as principais causas do conflito está a luta pela terra e a consequente desestruturação das relações sociais, devido a nova ordem política e econômica da época. Sendo assim, este trabalho procura discutir o papel da violência nesse contexto como mecanismo deflagrador e solucionador da revolta, implementado tanto pelos rebeldes quanto pelo poder público e a elite local.



 
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