Conference Agenda

Summaries and basic information about congress panels. Please note that the panel identification numbers are provisional and that (pending the publication of the final program) they appear with a dummy date of celebration.

 
Session Overview
Session
S126: The Fight for the Land scaled in the Long Term: A History of the Peasantry in Pre-Capitalist Societies!
Time:
Friday, 20/Jun/2025

Session Chair: Mario Jorge da Motta Bastos;
Session Chair: Renata Rodrigues Vereza;
ES+PT+EN

Session Abstract

"Se pensarmos em termos da história da humanidade, podemos dizer que o MST nasceu naquele momento da Antiguidade, quando famílias poderosas passaram a cercar o pedaço de chão em que moravam para evitar que viessem “compartilhar” seus bens. (Mitsue Morissawa)."

O painel é proposto por um grupo de pesquisa brasileiro radicado na Universidade Federal Fluminense (RJ – Brasil). Denominado Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo – Seção de Estudos do Pré-Capitalismo (NIEP-Marx-Prék), seus integrantes atuam, entre outras frentes, de forma a dimensionar historicamente a configuração dos campesinatos em sociedades pré-capitalistas diversas a partir das condições de existência e das lutas travadas pelo campesinato no presente (no Brasil, especialmente a partir da articulação do MST), promovendo ainda o estreitamento das relações entre a história acadêmica e os movimentos sociais.

O painel objetiva abordar, comparativamente, as diversas experiências históricas de estruturação das sociedades agrárias, das formas de dominação e resistência desenvolvidas pelos campesinatos ao longo da História, fomentando e apoiando a elaboração de uma história do “mundo camponês” que, inscrita na longa duração, desvele o seu protagonismo histórico e fundamente a sua ação no presente. Trata-se de historiar, na longa e diversa experiência campesina, as formas de sua organização, a formação de suas comunidades, suas sociabilidades, cultura, religiosidade, os vários regimes de exploração a que foram submetidos e os mecanismos, estratégias e frentes de resistência e de luta que desenvolveram. Não se trata de promover a “essencialização” do campesinato sob uma perspectiva romântica que negue sua historicidade, mas justamente de determinar os elementos estruturantes de sua existência histórica para, comparando os contextos dados pelas sociedades antigas, medievais e modernas, considerar especificidades, identidades, níveis de convergência e divergência da experiência plurimilenar dos campesinatos na História.


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Presentations

La jammāsa y los aparceros a un cuarto en el Túnez colonial

Tatiana Hernández Justo

Universidad de Granada, España

La jammāsa y los aparceros a un cuarto eran la principal fuerza laboral en el campo tunecino durante el periodo del protectorado francés. Sumidos en la miseria, sus condiciones de vida eran muy duras y carecían de prestaciones sociales que los apoyaran en épocas de sequía o malas cosechas. Incluso existía un decreto promulgado por las autoridades coloniales que los equiparaba a delincuentes si dejaban su trabajo en busca de otras tierras más fértiles que labrar y los obligaba a regresar a sus anteriores empleadores y a pagar una multa. Estas y otras cuestiones son abordadas por el autor tunecino Ṭāhar al-Ḥaddād (Túnez, 1899-1935) en su libro al-‘Ummāl al-tūnisīyyūn wa-ẓuhūr al-ḥaraka al-niqābiyya, una obra que relata el surgimiento de la primera unión sindicalista autónoma en el país, la Confederación General de Trabajadores Tunecinos (CGTT). Usándola como referencia, en esta ponencia trataremos de analizar la situación de los trabajadores agrícolas en el Túnez de principios del siglo XX, sus condiciones laborales, sus luchas y su papel en el movimiento de cambio social que tuvo lugar en aquella época y que aún continúa a día de hoy.


O problema da agência camponesa na Gália tardo-romana

Uiran Gebara Da Silva

University of São Paulo, Brasil

Os camponeses quase sempre foram uma presença passiva na historiografia sobre o Império Romano tardio. E é em estudos sobre a Gália romana onde isso é mais perceptível. Embora as comunidades rurais dali em geral fossem representadas como imutáveis, é ali que ocorreram os levantes dos bagaudas, insurreições camponesas, onde parte da historiografia do XX encontrou alguma ação histórica desses camponeses. Uma das grandes dificuldades dos investigadores, porém, é ver essa ação também em contexto cotidiano e o objetivo deste trabalho é lidar com essa dificuldade. Na primeira parte, apresentarei brevemente os debates historiográficos sobre as comunidades rurais da Gália, lidando também com os raros casos em que se viu as comunidades rurais galo-romanas como agentes de mudança, assim como o impacto (ou a falta dele) de contribuições recentes da Arqueologia sobre as representações historiográficas. Na segunda parte, são examinadas as diferentes representações dessas comunidades rurais: algumas passagens fundamentais sobre os bagaudas e outras que representariam o cotidiano camponês na Gália. Na conclusão, propõe-se um modelo que descreva o papel dessas comunidades rurais nas mudanças que ocorreram na Gália tardo-romana, tanto nas situações de luta social quanto nas situações de reprodução do sistema social romano.


As leis agrárias do início da República Romana e a disputa pela terra (486-442 a.C.)

José Ernesto Moura Knust

Instituto Federal Fluminense, Brasil

As leis agrárias romanas são objeto de grande atenção historiográfica pelo papel que desempenharam nos mais importantes conflitos do período final da República. Contudo, as leis agrárias não eram vistas como novidades para os romanos, dado que estes haviam constituído uma memória sobre uma série de leis que tratavam do tema agrário no início do período republicano. Os historiadores gregos e romanos que nos informam o que sabemos sobre essas leis escreveram muitos séculos depois, e claramente enquadram esses episódios dentro dos moldes dos conflitos do final da República. Boa parte da historiografia moderna que se dedicou ao tema tem tido como objeto primordial, inclusive, a demonstração de como essas narrativas são determinadas por topoi literárias criados pelo contexto histórico posterior. O objetivo desta comunicação é produzir uma reinterpretação destas leis agrárias do início da Republica tendo em consideração essa historiografia crítica, mas buscando ir além da mera identificação de questões literárias para a produção de uma história destas leis.


Dimensionando a experiência camponesa nas sociedades medievais

Mario Jorge da Motta Bastos

Universidade Federal Fluminense, Brasil

Realidade social intrínseca e fundamental às sociedades pré-capitalistas até que o advento da sociedade burguesa fez com que “tudo que era sólido se desmanchasse no ar!”, os campesinatos constituem hoje uma força social dinâmica em especial em diversos países periféricos do mundo, alvos principais da concentração fundiária e da disseminação do agronegócio e um dos principais opositores do processo insidioso de subsunção ao capital. Ora, compete ao meio acadêmico e aos seus profissionais engajados nas lutas do presente, entre outras iniciativas, as ações voltadas a uma perspectivação histórica das formas de organização e sociabilidades camponesas, estabelecendo, na longa duração, as diversas, ricas e complexas experiências históricas de estruturação das sociedades de base agrária, das formas de dominação sofridas e de resistência desenvolvidas pelos campesinatos ao longo da História. Constituir-se-á, então, uma “história do mundo camponês” que desvele o seu protagonismo histórico, fundamente a sua ação no tempo presente e apoie os seus anseios de futuro. Objetivamos, pois, nesta apresentação, esboçar um primeiro ensaio de abordagem das iniciativas que, na Idade Média ocidental, ensejaram a configuração de uma identidade camponesa num contexto marcado por diferenciações internas e manifestações diversas de dominação, autonomia e resistência social.


O campensinato e a luta de classes na Escandinávia da Era Viking.

Patrick Zanon Guzzo

Niep Pré-K - UFF, Brasil

A presente comunicação visa tratar das condições e lutas do campesinato ao longo da Era Viking. Enquadrasse neste esforço, caracterizar a atividade agrícola neste contexto dado que, outroramente, esta fora praticada em alternância com a guerra pelos nórdicos. No entanto, com as expedições vikings esta situação esta se altera. As riquezas obtidas nos saques em outras regiões, a especialização da atividade militar e a conversão ao cristianismo, - que redunda no fomento da ideia de centralização política -,propiciam para um aprofundamento da diferenciação entre as classes entre estes povos. Portanto, o processo de feudalização se apresenta como um fator de catalização dos conflitos classistas, que muitas das vezes ganhará expressão em manifestações sutis como as da sobrevivência do uso de práticas e rituais pagãos junto ao cultivo das terras pertencentes às aristocracias em vias de cristianização.


“interrogatus quare de omnibus predictis casalibus non faciunt equale forum”: Fraturas internas, solidariedades e resistências camponesas no Julgado de Bouças (1258-1279)

Thiago Pereira da Silva Magela

Universidade Federal Fluminense, Brasil

As atuais lutas pela Terra realizadas por camponeses e trabalhadores rurais, tais como, o Movimento dos Sem Terra-MST (Brasil) e a Via Campesina, seguem despertando a atenção de diversos historiadores, sociólogos e antropólogos ao redor do globo. Destaco que os medievalistas também nos últimos anos retornaram ao velho “problema” do mundo rural medieval.

Como se sabe, no período medieval, a sociedade fundamentalmente era de base agrária. Logo, as relações com e sobre a terra eram chaves na sua estrutura e dinâmica. Sendo assim, os camponeses medievais ocupavam um lugar crucial, no Feudalismo, como produtores de excedentes. Os aristocratas, então, entravam em disputas regulares por excedentes camponeses, e com o avanço do Feudalismo em Portugal( XII- XIII) estes camponeses progressivamente perderam a sua autonomia e foram submetidos aos mandos e desmandos senhoriais.

Em pouco tempo, os estatutos jurídicos (livre, escravo e colono) passaram a ter pouca relevância para o entendimento dos diferentes encargos fiscais e/ou senhoriais que recaíam sobre esses camponeses. Desta maneira, nossa apresentação intenta refletir sobre as dinâmicas internas e externas que influenciam nas diferentes exações que os camponeses portugueses sofriam, e como estas geravam conflitos, solidariedades e resistências no mundo rural português na segunda metade do século XIII.


A dependência camponesa visigoda a partir dos vestígios arqueológicos

Eduardo Cardoso Daflon

Universidade Federal Fluminense, Brasil

As caracterizações clássicas das formas de dependência na Alta Idade Média – entre os visigodos em especial – são fortemente calcadas nas fontes escritas, as quais vêm sendo questionadas à luz das evidências trazidas pela arqueologia rural alto medieval nos últimos anos. Estes estudos arqueológicos têm demonstrado não só a existência de uma grande diversidade regional, mas também como diversos tipos de assentamentos denotam níveis variados de dominação ou autonomia camponesa. A forma dos assentamentos, bem como dos achados a eles associados, fornecem um conjunto de referências que possibilitam refletir sobre os graus de riqueza da aristocracia e sua interação supralocal. Além disso, possibilitam entrever como se estruturavam as comunidades e as suas relações com os grupos aristocráticos. A presente comunicação tem, portanto, finalidade apresentar um breve balanço das formas de dependência no mundo rural visigodo entre os séculos V-VIII. Nesse sentido, buscando entrever uma lógica geral que atravessasse o período visigodo, a despeito das muitas particularidades regionais.


Relações de propriedade e dependência camponesa no Reino Visigodo de Toledo (s. VI-VIII)

Paulo Pachá

Universidade Federal Fluminense, Brasil

O presente trabalho tem como objetivo principal desenvolver uma análise das relações de propriedade no Reino Visigodo de Toledo durante os séculos VI e VII. A partir da análise das formas de propriedade da terra elencadas na documentação escrita, enquadraremos a relação entre essas formas de propriedade e as diversas formas de dependência camponesa. Assim, pretendemos revisitar e indicar novas possibilidades de análise para o clássico debate sobre o fim da escravidão durante a Alta Idade Média europeia.


História, Memória e o Campesinato do Egito Faraônico

Fábio Frizzo

Universidade Estácio de Sá, Brasil

A comunicação dedicar-se-á a uma abordagem metodológica analítica dos possíveis usos políticos do passado faraônico para a construção de um projeto de futuro consequente com a dinâmica das sociedades camponesas e seus saberes tradicionais. Neste sentido, buscar-se-á defender uma forma específica de olhar para o passado e construir a consciência histórica da fração de classe camponesa, conectando tal historicidade ao projeto de uma perspectiva de futuro que valorize a agricologia e a integração com a natureza.


As Cortes e a questão agrária no Estado baixo-medieval Português (séculos XIV e XV)

João Cerineu Leite de Carvalho1,2

1Universidade Estácio de Sá, Brasil; 2Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo – Seção de Estudos Pré-Capitalistas (NIEP-Marx-Prék)

A dinâmica estatal da Baixa Idade Média Portuguesa foi marcada pelo aumento da participação dos concelhos municipais por meio da sua representação nas reuniões das Cortes. Nesse espaço de criação legislativa e de disputa entre os poderes aristocráticos portugueses, a exploração fundiária e as tensões dos vários proprietários de terra (inclusive as elites concelhias) com o campesinato lusitano acabava por se revelar na recorrente busca por negociações e por maior controle sobre os produtores diretos. Mais do que inserir o campesinato como elementos passivos nessa dinâmica, o trabalho aqui proposto busca osbserva-los como agentes ativos nos ditos processos, ainda que suas vozes não fossem diretamente representadas nas assembleias mediadas pela monarquia.


Lo de Mora: A Microhistory of a Nuevomexicano Village

Gabriel Meléndez

University of New Mexico, Estados Unidos

In 1972 historian Luis Gonzalez published Pueblo en vilo: microhistoria de San José de Gracia, a comprehensive history of his birth village, a place that “produced no figure of stature in state or national circles, no personage in politics, letters or the military.” González’s work challenged the notion that the history of a small community cannot be written because the events of country and village life leave few traces and the evidence tends to get lost, misplaced or dispersed. In 2017 I published The Book of Archives/El Libro de los Archivos: And Other Stories from the Mora Valley (University of Oklahoma Press) a bilingual collection of short story-vignettes that create a portrait of small nuevomexicano villages that date back to a 1835 Spanish-Mexican land grant, but where the sense of place belongs to a time before the United States acquired the U.S. Southwest. The Book of Archives rests on the oral tradition connecting this story-telling to narratives woven around legal documents, testimonios, diary entries, business receipts, and personal histories. I wish to read these histories as examples of transitions and transformations experience by my home village over the course of a century and a half of political, socio-economic and religious change to show how the struggle for land and communal identity is impacted by national and global transformation.



 
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